D'APRÈS Um Vicente, algures entre LISBOA - LONDRES - XANGAI - BRUXELAS

Quinta-feira, Maio 19

O Bom Provedor

Caros bacanos,

Neste post vou fazer mais uma transcrição do livro de crónicas do Luis Fernando Veríssimo. Esta é dedicada ao meu caro amigo Rosebud, e às suas teorias acerca "do que as mulheres andam à procura num elemento do sexo masculino com quem sonham passar o resto de suas existências!". O título da crónica é "Bom Provedor", e aqui vai:

"
Foi um escândalo quando a Vaninha - logo a Vaninha, tão delicada - apresentou o noivo às amigas. Era um troglodita.
- Não - contou a Ceres, depois. - Não é força de expressão. É um troglodita mesmo. Ele babou na minha frente. Ele babou na minha frente!
O noivo babava. Seu vocabulário era limitado. Duas ou três interjeições e algumas palavras que só a Vaninha entendia e interpretava para os outros.
- Ele disse que tem muito prazer em conhecê-la, mamãe.
- Pensei que estivesse latindo.
É preciso dizer que a Vaninha, coitada, vinha de um casamento malsucedido, com intelectual brilhante mas complicado, e tinha dois filhos para criar. E quando sua mãe, incapaz de se controlar depois de ver o futuro genro tirar o sapato e a meia e coçar a sola do pé na frente de todo o mundo, enquanto a Vaninha fingia que não via, disse "Francamente!", respondeu simplesmente:
- Digam o que disserem, ele é um bom provedor.

Para espanto e indignação de todos, Vaninha casou com o troglodita. As amigas se distanciaram dela. Não era possível. O que a Vaninha, logo a Vaninha, formada em História da Arte, vira naquele monstro? Mas um dia, meses depois do casamento, a Ceres encontrou a mãe da Vaninha. E ouviu dela, estarrecida, um elogio ao genro.
- É um bom provedor.

As amigas resolveram investigar. A Ceres, designada como patrulha avançada, foi visitar a Vaninha. Encontrou-a na cozinha da casa de subúrbio para onde se mudara com o troglodita e os dois filhos, retalhando um boi inteiro. O marido estava sentado no chão, num canto da cozinha, chupando um osso. Vaninha explicou que ele só se interessava por um determinado osso do boi. Saía de casa sem dizer para onde ia e voltava com um boi inteiro, ainda quente, sobre os ombros. E salivando com a antecipação do osso. O que sobrava do boi ficava para o resto da família. A Vaninha não perguntava para onde ele ia nem como matava o boi. O importante era que o freezer estava cheio de carne. A Ceres não queria levar um pedaço de carne para casa?

Naquela mesma noite o marido da Ceres, Carlos Augusto, um homem elegantíssimo, bem articulado, campeão de gamão, depois de avisar que era preciso cortar as despesas da casa, que a situação na galeria não estava boa não, ouviu da mulher uma palavra forte e inédita.
- O que foi que você disse, Ceres?
- Imprestável!

A Ceres passou a visitar a Vaninha regularmente. Aliás, todas as amigas da Vaninha foram se reaproximando dela, uma a uma. Passavam a tarde com a Vaninha, conversavam, riam muito, e sempre levavam um pedaço de carne para casa. Comentando que "Marido era aquele! Não o que elas tinham em casa! Babava, mas e daí?"

Segunda-feira, Maio 16

E também eu...

Ao repto da Cláudia, já respondido pelo Berra Boi, aqui vai também a minha resposta:

1. Não podendo sair do Fahrennheit 451, que livro quererias ser?

“Doutor Fausto” do Thomas Mann. No âmbito dos livros técnicos, o "Fotossítese" de C. Pinto Ricardo e António Teixeira.

2. Já alguma vez ficaste perturbado com uma personagem de ficção?

De literatura acho que não, talvez de audiovisual sim. Por exemplo o temível pistoleiro Zeca Diabo ou o Roque Santeiro que nunca mais aparecia...

3. O último livro que compraste?

"The Full Cupboard of Life" de Alexander McCall Smith.

4. O último livro que leste?

Sem contar com o "Shanghai" da Lonely Planet, "O Melhor das Comédias da Vida Privada" de Luis Fernando Veríssimo.

5. Que livros estás a ler?

"Morality for Beautiful Girls" do Alexander McCall Smith. Ando mesmo viciado na Mma Ramotswe!

6. Seis livros que levarias para uma ilha deserta?

Um livro da Lonely Planet sobre essa ilha deserta; outro da Maria de Lurdes Modesto sobre como cozinhar em condições difíceis; mais um com capa fofa para servir de almofada à noite; e os três livros que me faltam ler da Colecção "Nº1 Ladies detective agency" do Alexander McCall Smith porque ando viciado.

7. Três pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?

A três dos participantes do blog musical Otites para ver o que têm para dizer acerca de livros!

Quarta-feira, Maio 11

Xangai city e Xitang

Dear Mates,

Estou já em Londres, depois de mais uma muy longa viagem e da superação do inevitável jet-leg. Depois de 2 semanas do outro lado do Mundo ainda me estou a readaptar à vida calma de Londres, por comparação com o frenesim de Xangai. Até me parece estranho não ver a toda a hora dezenas de bicicletas na estrada, nem ouvir as intermináveis e ruidosas buzinadelas dos taxistas, automobilistas e ciclistas. Eu diria que parte da explicação para as diferenças entre Londres e Xangai tem a ver com uma lei da termodinâmica, a Lei da Entropia: quanto maior o número de entidades presentes num determinado volume de espaço, maior a velocidade e o número de choques entre elas, resultando daí a elevação da temperatura medida nesse mesmo espaço. Xangai tem maior "nível de entropia" e é essa uma das características que a distinguem da maioria das cidades europeias, é um caldeirão mais agitado! :)

Este vai ser o último post da "colecção Xangai", já ligeiramente em tom de retrospectiva, à distância :-( Nos posts anteriores já escrevi acerca da maior parte do que vi e vivi, e deixei para o fim um pouco da fascinante História de Xangai e dos seus bairros.

Apartes

Antes disso apenas dizer que, como devem ter reparado, não foi possível pôr fotos no blog a partir da sinolândia. Tal deve-se a factores alheios à minha vontade, mas convido-vos a partir de amanhã a revisitar os posts de Xangai onde integrarei bué de fotos.

Outro aparte é que não foi possível visitar Suzhou (capital da produção de seda e "Veneza da China" por causa dos seus canais) conforme tinha planeado, devido à inexistência de bilhetes de autocarro ou comboio. É um dos problemas na China, devido às leis do país toda a gente é obrigada a tirar férias ao mesmo tempo, pelo que visitar os principais pontos turísticos na "semana do trabalhador" é um caos! Em alternativa fui a outra vila fluvial mais modesta chamada Xitang. Muito gira, óptima comida (principalmente mariscada) e belo passeio pelos canais! Seda é que não vi, fica para a próxima... Mas visitei uma "adega" onde se produz vinho de arroz e onde o processo de produção estava pintado nas paredes. Ora espreitem!

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com



História

Até ao ano de 1842 Xangai praticamente não existia. A sua importância como cidade e porto era diminuta em comparação com outros centros de produção e comércio de chá e seda como Hangzhou e Suzhou, cuja notoriedade durava já há séculos. As coisas mudam por volta dessa altura por causa dos ingleses (no seu período áureo, no tempo da Rainha Vitória), tal como aconteceu em muitos outros pontos da Ásia.


De fins do séc. XVII até princípios do séc. XIX os ingleses praticamente só faziam comércio com os portos da região do Cantão (ou Guangdong em chinês, onde se localizam Macau e Hong Kong): os ingleses compravam chá, seda e porcelanas, enquanto os chineses compravam lã e especiarias. Nesta altura os chineses ficavam a ganhar nas trocas, mas no fim do sec. XVIII os ingleses decidiram dar a volta ao texto: começaram a trazer ópio da Índia, e trocavam-no por prata chinesa com a qual compravam os mais desejados produtos chineses. O comércio do ópio ganhou tanta importância, e o consumo pelos chineses aumentou tanto nessas décadas, que as autoridades chinesas (dinastia Qing) tentaram pôr fim ao mesmo: em 1839 comerciantes ingleses foram presos e quantidades enormes de ópio deitadas ao mar. Depois de negociações falhadas entre as autoridades de ambos os reinos, os ingleses decidiram tratar do assunto ao seu estilo e invadiram Xangai em 1842, tendo chegado até Nanjing. Nessa cidade assinaram o chamado Tratado de Nanjing que marcou os destinos da cidade durante mais de um século e estipulava o seguinte:
- Paz entre a China e o Reino Unido
- Garantias de segurança e protecção aos cidadãos e propriedade britânicas
- A abertura da província do Cantão; das cidades de Fuzhou e Xiamen (na província de Fujian, a norte do Cantão) e Ningbo (na província de Zhejiang, a sul de Xangai); e de Xangai
- Permissão de residência nessas cidades/províncias a cidadãos estrangeiros e abertura de consulados nas mesmas para dinamização do comércio
- Tarifas justas de importação e exportação
- A posse de Hong Kong (é daqui que ela vem!)
- Uma indemnização de 18 milhões de dólares

Está visto que o comércio de ópio (a principal razão na base da Guerra do Ópio) não fez parte do tratado e os ingleses continuaram a controlá-lo para seu enorme proveito. Na verdade um dos principais bancos ingleses actualmente, o HSBC (Hong Kong and Shanghai Banking Corporation, se vierem a Londres veêm-no em todo o lado), ganhou toda a sua dimensão e poderio pelo papel que teve na gestão do comércio do ópio no sudeste asiático. O seu antigo edifício é o maior e mais sumptuoso ainda hoje localizado numa das principais avenidas de Xangai (o Bund).
Image hosted by Photobucket.com

Bom, mas o que se seguiu foi que os Americanos e os Franceses aproveitaram a embalagem e assinaram tratados parecidos com os chineses (nesta altura já estavam por tudo...) e estabeleceram-se nas mesmas cidades. Xangai foi a que mais prosperidade teve, devido à excelente localização geográfica (na foz do Yang-tsé e a meio da costa chinesa, entre o Mar Amarelo e o Mar do Este da China), à inexistente interferência do Governo chinês e à própria vocação comercial dos xangainenses.

A navegação no porto da cidade cresceu muitíssimo, a população de estrangeiros aumentou e vem dessa altura a constituição dos povoamentos (settlements) ou concessões (concessions) estrangeiros em Xangai, cuja delimitação ainda hoje permanece entre os bairros. Inicialmente os estrangeiros estavm divididos em 3 concessões: a inglesa, a americana (estas duas fundiram-se em 1863, criando o chamado 'International Settlement') e a francesa. Cada uma delas constituiu as suas instituições próprias (tipo câmaras municipais) e geria todos os aspectos dessas concessões desde o saneamento ao planeamento urbano. Como podem concluir Xangai foi, em grande medida, uma invenção ocidental baseada no comércio/negócios e essa ainda é hoje a principal vocação da cidade.

Com o passar dos anos o padrão da economia alterou-se e sectores como os têxteis, o mercado imobiliário, os bancos, os seguros e a indústria naval começaram a desenvolver-se. Os bancos foram um dos sectores que mais se desenvolveu, pelo facto de a totalidade dos empréstimos, dívidas e indemnizações na China terem que passar necessariamente através de Xangai. Uma particularidade curiosa na altura era a existência de intermediários chineses do Cantão conhecidos por todos como compradors (nome dado pelos Portugueses), que eram os principais responsáveis pelo estabelecimento de negócios de compra e venda entre os chineses "puros" e os ocidentais (os cantoneses eram, e ainda são, lixados para o negócio). Está claro de ver que no fim do séc. XIX e princípio do séc. XX, Xangai se tornou uma metrópole que atraía imigrantes e empresários da China, capital estrangeiro e pessoal qualificado para todos os sectores.

O controlo estrangeiro da cidade durou cerca de 100 anos (!!), até à invasão japonesa na 2ª guerra e atribuição dos direitos sobre as concessões estrangeiras ao Chiang Kai-Shek em 1943. Até essa altura tornou-se uma das cidades mais industriais e cosmopolitas do Mundo (3 vezes maior que Londres), onde acorria todo o tipo de malta: milhares de Judeus fugidos das perseguiçoes nazis, os quais prosperaram muitíssimo (ainda hoje há um bairro judeu e uma sinagoga no norte da cidade); Russos mencheviques fugidos da Revolução Comunista (viviam na zona francesa, ainda hoje se veêm igrejas ortodoxas nessa zona), não tinham a sua própria concessão e estavam sujeitos às leis chinesas pelo que eram olhados com sobranceria pelos outros ocidentais; Japoneses interessados no comércio criaram a sua própria concessão e nos anos 30 a guerra entre chineses e japoneses tomou tais proporções (os japoneses invadiram o norte da China em 1931) que a cidade foi bombardeada em 1937, morreram milhares de pessoas e alguns dos principais edifícios foram destruídos no dia que ficou conhecido como 'Sábado Sangrento' (julgo que é desta altura que vem a história do Império do Sol do Spielberg, que descreve a evacuação dos estrangeiros da cidade e os campos de concentração montados pelos japoneses).

O ambiente dos anos 20 e 30 foi o que tornou a cidade famosa: as casas de ópio (mais de 1500 na cidade, conhecidas por 'ninhos de andorinha' - terá a ver com a sopa?), as casas de prostituição (mais de 600, conhecidas por 'casas de flores') e a corrupção generalizada; as gangues do crime organizado (tríades) e a violência; as sociedades secretas; o glamour dos clubes privados, dos edifícios art deco e das festas e eventos de ingleses, americanos e franceses; a pobreza extrema de grande parte dos chineses, o que levou ao despontar dos movimentos comunistas e a revoltas no campo e na cidade.
Por essa altura o KMT estava no poder e o Chiang Kai-Shek fez das suas ao aliar-se aos comunistas contra os poderes ocidentais e depois traí-los e dizimá-los com o apoio dos grupos das tríades de Xangai. Depois da derrota dos japoneses foi o caos, a guerra civil entre comunistas e nacionalistas (KMT), que os últimos perderam mas fugiram com todas as reservas de ouro do país para Taiwan.

De 1949, data da Revolução Comunista até aos anos 90 foi um período de retrocesso económico, embora o PC tenha acabado com o ópio, a prostituição, o trabalho infantil, os guetos e as famílias burguesas pelo caminho. Xangai era vista pelo novo regime como demasiado influenciada pelo ocidente e acabou por se tornar o berço da Revolução Cultural (tinha por objectivo destruir os quatro pecados: velhos costumes, velhos hábitos, velha cultura e venha forma de pensar), o exército invadiu a cidade e instituíu a anarquia, foi constituída uma Comuna (inspirada na Comuna de Paris do séc XIX) que durou apenas 3 semanas tendo sido reposta a ordem por ordem do Mao. Há vários filmes chineses que descrevem este período, os que mais gostei foram "O papagaio de papel azul", "Adeus, minha concubina" do Chen Kaige e o "Viver" do Zhang Yimou - vio-os nos primeiros anos da faculdade, passaram nos cinemas em Lisboa porque ganharam todos prémios em Cannes e o Paulo Branco encarregou-se de os comercializar no nosso burgo.
Em resumo foi a maluqueira total: alunos a dar porrada nos professores e fechar escolas; operários a fechar as indústrias; jovens a ir para os campos de trabalho e reeducação maoísta fora das cidades para os ensinar as virtudes da agricultura (o Danune sabe o que é isto...); templos foram devastados, os monges e padres postos a produzir guarda-chuvas ou nos campos de trabalho. Os pais da Lu (ambos profs) passaram por este período e não deve ter sido pera doce! Depois de 1976 veio o Deng Xiao-Ping, introduziu as reformas de mercado e a China começou a abrir, mais a partir do fim da Guerra Fria.

A partir dos anos 90 foi a explosão de investimento do Governo na Central, e boa parte dos arranha-céus que se veêm hoje em dia foram construídos depois de 1990, bem como as pontes, o metro, o aeroporto internacional, os museus e centros de convencções... o objectivo é tornar-se a capital financeira da Ásia e suplantar Hong Kong, segundo dizem nos próximos 20 anos.

Bairros

Hoje em dia a antiga concessão inglesa é a área denominada Bund e bairros adjacentes, onde as antigas instituições financeiras dos brits se localizam. A área é muito gira, principalmente à noite com os placards luminosos das marcas internacionais no topo dos edifícios acesas. Olhar para o bairro novo do outro lado do rio, Pudong a nova zona financeira (tipo Manhattan), à noite é espectacular! A torre é chamada Oriental Pearl Tower, é a maior torre de TV/Rádio da Ásia e a terceira maior do Mundo. A inspiração de quem a construíu veio parcialmente da Torre Eiffel, mas aquelas bolas rosa choc só podiam ser ideia de asiáticos (embora à noite a iluminação seja toda XPTO). Mais uma cena futurista...

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Do Bund sai em perpendicular a maior artéria comercial da cidade, fechada ao trânsito, chamada Nanjing Lu (onde se vendem umas frutas que nunca tinha visto), a qual vai dar à Renmin Square ou Praça do Povo (onde se localiza o Museu de Shanghai, que é o melhor museu do país e equivalente ao British Museum, mas apenas dedicado à China - as colecções de bronzes, jade, caligrafia, mobiliário e trajes tradicionais das diferentes regiões da China são de facto muito interessantes).

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

A Concessão Francesa é das zonas mais interessantes da cidade, com muitos edifícios antigos e alamedas ladeadas por plátanos que fazem lembrar algumas boulevards de Paris (sorry, sem fotos...). Outra das principais ruas comerciais da cidade, a Huaihai Lu, localiza-se aí bem como as melhores zonas de pubs e discotecas.


A Parte Antiga de Shanghai (chamada Old Town) é a zona mais castiça, tipicamente chinesa e mais especificamente xangainesa. As grandes atracções são o bazar localizado nas ruas propriamente ditas (onde me fartei de regatear preços de souvenirs!), a casa de chá mais antiga e famosa da China (onde bebi o chá de flores que é uma delícia, acompanhado de uns ovos de codorniz!), e uns jardins tipicamente chineses (chamados YuYuan) que também são um dos principais spots da cidade.


Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

E por aqui termino "Um Vicente em Xangai". Obrigado pelos comentários e espero que tenham gostado da partilha, por vezes exaustiva, de informação. Mas olhem, eu gosto de escrever, é mal de família! :)

Adeus! Bye bye! Au revoir! Sayonara! Auf wiedersehen! Zai jian! Darsdnovya!

Sábado, Maio 7

Curtir Xangai

Caros,

Nestes dias a Lu e o ex-cohabitante da residência onde morei em Newcastle (Mr. Michael Ding) andaram-me a mostrar a cidade de cima a baixo, e também do avesso! Trata-se sem dúvida de uma metrópole cosmopolita, talvez ainda não tanto como Londres mas para lá caminha. Como dizem alguns lusos, tem um "andamento" do caraças e nunca pára, 24 sobre 24 horas. O cosmopolitismo actual no entanto vem, na minha opinião, mais do comércio e dos negócios do que propriamente das pessoas que vivem na cidade. Há de facto alguns ocidentais (europeus e americanos), mas muito poucos comparado com a esmagadora maioria de chineses. Africanos devo ter visto uns 3 ou 4 (incluindo o "brasileiro" do Congo), árabes nenhum nem mesmo na zona muçulmana da cidade. Mas as imagens e referências publicitárias, as lojas, os centros comerciais, os restaurantes, tudo isto gera a percepção de um mix de culturas enorme, tanto internacional como regional no contexto da China.

Por falar nisso, a diversidade de características das regiões chinesas é enorme e muito interessante: dos 1.2 biliões que constituem a população total, cerca de 40 milhões pertencem a 56 minorias étnicas que ocupam principalmente as regiões interiores do sul e oeste do país. Entras estas minorias incluem-se os Uyghurs, os Kyrgyz, os Yi, os Mongóis ou os Tibetanos, cujas províncias onde habitam têm muito maior autonomia de gestão do que as restantes províncias do país (a maior de todas, Xinjiang, tem como religião dominante a muçulmana e os povos que aí vivem são próximos dos das repúblicas ex-URSS da Ásia Central como o Cazaquistão ou Kyrguistão, o que se vê pela comida dos restaurantes regionais deles em Xangai - é parecida com a dos árabes!- e não vão nada à bola com Pequim; o Tibete, ou Xizang em mandarim, é outro caso particular, e aqui a religião dominante é o budismo; em ambos os casos o Governo faz tudo o possível para tirar força às instituições e líderes religiosos estabelecidos). Os restantes 1,16 biliões (?!?) pertencem à etnia ou nacionalidade Han que ocupa quase toda a orla costeira a leste. Na minha opinião esta dominação tão pronunciada dos Han ajuda muito à inexistência de conflitos internos e uniformização do sentimento nacional da grande maioria da população - é não só a cultura como a própria etnia! É evidente que há muitas assimetrias regionais mesmo a leste, ver a quantidade brutal de dialectos, mas toda a gente fala a língua nacional, o Mandarim. É uma diferença com os países africanos, em que a língua oficial comum a todos os habitantes de muitos dos países é estrangeira (português, inglês ou francês).

Voltando à cidade, tenho notado existirem grandes contrastes entre as partes mais ricas do centro e dos arredores onde estão localizados os estrangeiros e as classes ricas, e as partes mais pobres, incluindo aquela onde se localiza a casa em que pernoito. Enquanto nas primeiras tudo é brilho, cor e beleza, nas segundas a atmosfera é bem mais pardacenta e degradada. Mas com o ritmo de construção que se vê na cidade nao me admirava que daqui a 5 ou 10 anos boa parte dela estivesse renovada. Talvez não da melhor forma, já que zonas verdes e arborizadas fora do centro é quase mentira e cada prédio tem no minimo uns 25 andares - é brutal a selva de betão! - mas é como em Lisboa, há que dar melhores condições de habitação no interior das casas às pessoas (nas casas tradicionais várias famílias dormem no mesmo espaço separados apenas por cortinas) e os construtores estão sem dúvida a tratar do assunto (e as pessoas parecem contentes com a evolução). Quem vai sofrer é o trânsito daqui por uns anos, agora ainda poucas famílias proporcionalmente têm carro - bicicleta, motoretas eléctricas (as motas com mais de 125cc são proibidas na cidade) e transportes públicos (relativamente novos) - mas à medida que os rendimentos crescerem isto vai mudar...

Mas o que vos queria descrever neste post é o que é que se pode fazer na cidade em termos de diversão/entretenimento, o que andei a experimentar com os meus guias e a curtir. E aqui vai:


Restaurantes/Comida

É um dos pontos mais fortes da cultura chinesa, sem qualquer sombra de dúvida. A diversidade e qualidade dos restaurantes em Xangai é 5 estrelas. Eu já nem pergunto o que põem no prato, marcha tudo e depois de 2 semanas já sou um mestre dos pauzinhos! Também devo dizer que estou para aí uns dois quilitos mais anafado :) Uma característica de Xangai é o tamanho dos restaurantes, há edifícios de vários andares todos ocupados pelo mesmo estabelecimento e pelo que percebi sempre cheios. Tambem há muito a cultura de ir comer fora de casa. Nomes de "tascas" onde fui incluem o "Rei do Pato" (especialidade é o Pato à Pequim),

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

o "Jaguar Dourado" (para quem tem por religião a culinária este restaurante tipo buffet é o templo-mor, especialidade mariscada, sushi/sashimi e peixe "mais fresco impossível"!),

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

o "Jardim de Jade", o "Restaurante das Raparigas de Sechuan" (especialidades em comida picante e "focinhos" de pato - Sechuan é a terra dos pandas!)

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

and so on.
As palavras mais usadas para dar uma certa cor chinesa são 'Pearl', 'Garden', 'Jade', 'Dragon' e outras do género.

Uma das coisas mais desagradaveis é o preco do café. Carambas, para eles é um luxo e não dá para pagar um expresso (vulgo bica) por menos de 2 euros (em muitos locais chega aos 3)! Nem no centro de Paris o preço é tão alto, bolas! Não dá para ser cafeíno-dependente por estas bandas.

Image hosted by Photobucket.com


Karaoke (KTV)

Um dos grandes vícios dos asiáticos. Qualquer restaurante digno desse nome tem que ter um KTV ou então não há festa! Eu fui levado para um complexo de entretenimento, que consiste num edifício de vários andares, cada andar com umas 15 a 20 salas de karaoke (privadas) que podem ser alugadas por determinado numero de horas. Cada sala tem uma tv gigante e uma aparelhagem sonora, sofás e mesas onde se podem tomar refeições (estao incluídas no preço total) tipo buffet. Eu fui lá parar às 11 de manhã e saí de lá às duas da tarde, isto porque é muito mais barato alugar para o almoço. Spooky, hem? Eu honestamente aquilo cansa-me um bocado, mas o pessoal que estava comigo (chineses e o japonês) cantava como se não houvesse amanhã! Como em muitos outros locais o serviço foi impecável. O negócio está aberto 24 horas por dia, se se quiser pode-se ir lá parar às 4 da manhã!

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com


Banhos Públicos (Spa)

Esta deve ter sido a minha experiência mais cómica. Xangai está cheia de Spas, e uma entrada com duração de umas horas custa cerca de 4 euros. A experiência consiste em nos pormos de rabo ao léu e passar umas horas numa piscina aquecida ou na sauna. Senti-me um cidadão do Império Romano! A parte dos homens está obviamente separada da das mulheres e este foi um dos problemas. Sem entrar em grandes pormenores, imaginem um portuga e um japonês a tentarem comunicar com os funcionários chineses (que nao falam outra língua) para os tentar fazer perceber o que queríamos e o que não queríamos num spa na periferia de Xangai onde (pela cara dos tipos) nunca deve ter ido nenhum estrangeiro! Digamos que não foi fácil... Depois dos banhos o estabelecimento oferece também vários tipos de massagens, fisioterapia, bares e restaurantes e inclusive dormida. Também aqui funcionam 24 sobre 24 horas e fomos lá por volta da meia noite, mas o sítio estava bastante cheio. Quite unreal ... que eu saiba em Lisboa nao há estaminés do género, pelo menos do tipo onde os pais levem os filhos crianças e vão apenas numa de passar umas horas em família, a relaxar e divertir-se. Mais uma ideia para importação...


Reflexologia

Mais uma cena que deu para fazer por volta da meia noite num centro terapêutico. Também é chamado de massagem aos pés, mas a ideia é a de fazer acunpunctura com os dedos, principalmente na sola dos pés. Os chineses acreditam que todos os órgãos principais do corpo estão ligados por centros nervosos aos pés, pelo que aplicando pressão nos pontos certos se pode contribuir para uma melhor saúde e detectar problemas precocemente.

Fora estes efeitos positivos a experiência é relaxante ao máximo. A sessão dura 1 hora (custa cerca de 5 euros), e na sala tem-se tv à disposição bem como umas peças de fruta e uns snacks. Os chineses, jovens e idosos (os que podem pagar, claro), adoram fazer isto e a família da Lu e do Michael deve ir pelo menos umas duas vezes por mês. Mais uma ideia...


Compras

O Centro de Shanghai é parecido ou mesmo melhor que os centros de boa parte das cidades europeias que conheci (e claro, muito superior ao de Nanjing ou mesmo da bela Hangzhou). Montes de centros comerciais e department stores, ruas cheias de lojas de marcas de topo e, claro, preços mais baratos que em Londres. Conclusão: é difícil resistir e no fim a bolsa sofre :( É uma cidade extremamente comercial, é a sua essência dizem os proprios chineses.

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Mas fora as zonas mais chic também fui a uns mercados onde tudo é regateado, se vende de tudo das marcas mais conhecidas (imitações em grande parte dos casos, pois com certeza) ao preço da chuva. É tipo Feira de Carcavelos! Também aqui não é bom ter ar estrangeiro, os vendedores literalmente não me largavam o braço, sempre dizendo as palavras-chave: 'watch?', 'glasses', 'dvd?' ou 'look, look, come here!'. É o preço da pechincha...


Bares e Diversão Nocturna

Mais uma cena em que a cidade está bem servida. A parte mais animada é a da Zona Francesa, ontem fui lá a um bar chamado 'Blue Frog' e encontrei numas das ruas principais dois restaurantes/bares portugas, provavelmente vindos de Macau. A zona do Bund (a marginal principal da cidade, volto ao assunto em proximo post) também tem vários pubs e bares.

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

No centro da cidade fizeram um projecto tipo docas mas sem o rio, ou seja, aproveitaram uns edifícios antigos e armazéns abandonados para renovarem, mantendo a arquitectura tradicional (casas de dois andares, construídas em tijolo cinzento e vermelho). É uma zona de forte concentração de ocidentais, os preços são altos, mas há sítios com muito estilo e bom gosto. Dá mesmo vontade de entrar, sentar e tomar um copo, comer um gelado (tem estado calor!) ou uma refeição.

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Uma das coisas que se notam na cidade é que há polícias por todo o lado e a toda a hora (também nas zonas de bares à noite). Deve ser para combater o desemprego, mas o excesso de zelo com que fazem o seu trabalho roça o aborrecido. Principalmente porque estão sempre a soprar no apito! Nos parques públicos do centro da cidade (que até ao ano passado qualquer cidadão tinha que pagar para lá entrar, também era um bem de luxo o que para um europeu parece um conceito completamente irracional e em contrasenso com o termo 'público') vi sempre 2 ou 3 polícias a correr de um lado para o outro a evitar que os passeantes pisassem a relva com uma sopradela no apito e uns impropérios. Fiquei espantadíssimo, parecia que estavam atrás de ladrões em fuga, nunca vi tanta preocupação com uns bocados de relva!

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com


Pandas

E isto era uma das coisas que eu queria mesmo ver numa visita à China - Pandas!!! São animais realmente lindos, tanto o Panda Pequeno como o Panda Gigante. Deu para ver no zoo de Xangai animais que em Lisboa e Londres é quase impossível, eu pessoalmente nunca tinha visto um pavão branco de cauda aberta, nem peixes dourados (com as suas grandes bochechas)!

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

E é tudo por hoje da ex-futura capital financeira do sudeste asiático. Está-se a aproximar o dia da partida, proximo post se calhar já será de Londres.

Ciao bellos


PS1: SPOOOOOOOORRTTIIIIIIINNNNGGGGGGGG!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Image hosted by Photobucket.com

PS2: Hoje visitei mais um templo budista, desta vez em Xangai, chamado "Templo do Buda de Jade" devido a uma preciosa estátua de 2 metros de altura que se encontra dentro do templo. Uma das coisas que me chamou mais a atenção no entanto foi que em lugar de bastante destaque vi penduradas na parede duas fotografias de personalidades políticas portuguesas cumprimentando o monge-mor aquando da sua visita ao templo: numa estava o inevitável Mário Soares (cuja foto de uma das suas visitas já tinha visto na fábrica central da cerveja Carlsberg em Copenhaga há uns anos atrás), e na outra a esposa do Cavaco Silva (curiosamente ele não aparecia na foto, sabe-se lá porquê os monges preferiram a foto da sua esposa).

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Quinta-feira, Maio 5

Hangzhou, Religião e Xangai futurista

Dilectos You,

De volta ao tema Hangzhou para mais uns reports a partir de Xangai city. Muitas coisas haveria para descrever, mas do que me apetece mais falar é da cultura e da religião budista que, segundo percebi, tem muita importância na maneira de ser e sentir desta sino-rapaziada.

Templos

O
templo budista de Lingyin foi o primeiro local que visitei em Hangzhou. O nome Lingyin pode ser traduzido como "Reclusão Inspirada" ou "do "Retiro da Alma". O templo foi inicialmente construido em 326 DC embora, devido a guerras e outras calamidades, já tenha sido destruído e reconstruído 16 vezes. A forma actual deve-se a um dos imperadores da dinastia Qing (a última de todas), o qual tinha grande veneração pelo lugar.

Image hosted by Photobucket.com

É um dos mais importantes complexos de templos budistas a sul do rio Yang-tsé (incluindo Xangai!) e consequentemente estava a abarrotar de gente! Há pessoas que vêm de bastante longe para ali orar, por acreditarem que as orações ali feitas têm mais efeito. A Lu tem alguma crença no amigo Buda, e seguiu na perfeição (e para alguma surpresa minha) o ritual básico prescrito a qualquer peregrino - o que significa comprar alguns conjuntos de paus de incenso à entrada e acendê-los em caldeirões com brasa à entrada de cada um dos 5 templos que constituem o complexo. Em cada um dos 5 templos estão localizadas as estátuas gigantes dos diferentes tipos de Buda, à frente das quais se tem que fazer umas quantas vénias pondo os paus de incenso entre as duas mãos à altura da cabeca. Eu para tudo olhava com extremo interesse, e documentei alguma coisa com fotos.

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Foi a primeira vez que entrei em tal tipo de local e, embora o meu espírito educado na religião católica se tenha sentido um pouco deslocado e sem saber bem como se comportar, gostei muito da atmosfera. O templo, mais precisamente o complexo de templos, estão estruturados da seguinte forma:

- Depois da entrada principal (que tem sempre uma barra de pedra ou madeira na estrutura da porta, à altura dos pés, pelo que se tem de dar um pulinho para entrar - parece que é para não deixar entrar os maus espíritos) existe um primeiro edifício onde está de frente para quem entra a estátua do "Buda Feliz" (gordo e sorridente, chamado Maitreya, a quem se costuma orar para pedir felicidade); a primeira sala é geralmente denominada "Sala dos Reis dos Céus" porque encostados às duas paredes laterais figuram estátuas representando os 4 reis protectores do Buda e do Reino dos Céus - cada um com um estilo diferente e com uma arma diferente (um guarda chuva, uma cobra, uma espada e uma guitarra chinesa, são umas figuras típicas...)

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

- Dentro do mesmo edifício tem que se tornear o Buda Feliz, e de costas para ele costuma estar um outro Buda que tem como características um ar mais sisudo, um terceiro olho na fronte e uma especie de espada na mão. Parece que o Deus dos Budistas (?) começou por pôr o Buda Sisudo de frente para quem entra, mas isso afugentava os crentes pelo que resolveu pôr o Buda Feliz nessa posição. Isto atraíu muita gente aos templos mas tambem ladrões que gostavam de roubar as riquezas que encontravam. Por essa razão à entrada está sempre o BF, para convidar a entrar, e à saida o BS para meter medo a quem pense em roubar (é o último a quem se ora, antes de sair do templo). How ingenious! :-p

Image hosted by Photobucket.com

- Ao sair pelas traseiras do primeiro edifício está sempre um ou mais lanços de escadas que há que subir para ir dar a um segundo templo, denominado "Sala do Grande Herói", onde se encontra o mais importante dos Budas, o príncipe Siddharta Gautama. Na verdade há 3 estátuas do mesmo tipo, mas ligeiramente diferentes umas das outras: a da esquerda representa o passado (Medicine), a do meio o presente (Sakyamuni, estátua que mede mais de 20 metros) e a da direita o futuro (Amithaba). Em geral pede-se a estes Budas pelo bem da familia, pela vida afectiva pessoal, pelos amigos e pela saude do proprio e de quem e querido.

Image hosted by Photobucket.com

- Nas costas do Siddharta, no mesmo edifício está uma Buda feminina (?), chamada Guanyin, uma das quatro mais importantes estudantes do Siddharta, a quem se pede normalmente ajuda a passar as dificuldades mais problemáticas da vida e boa sorte no desenrolar da gravidez e no nascimento dos filhos.

Image hosted by Photobucket.com

- Enfim, e por aí fora nos restantes 3 templos ao longo do percurso de subida, os quais contêm estátuas de outros tipos de Buda: a "Sala do Mestre Farmacêutico", a "Sala da Grande Misericórdia" e o "Pavilhão da Fonte de Água Fresca". A Lu diz que só é costume acender o incenso nos primeiros dois templos, que foi o que ela fez.

Image hosted by Photobucket.com

Na foto abaixo estão gravados na parede dezenas de caracteres chineses, cada um com um significado (amor, amizade, sucesso...). É um costume ou crença as pessoas tocarem no caractere cujo significado desejam , mesmo que para isso tenham que dar um valente pulo ou pendurar-se nas costas de alguém.

Image hosted by Photobucket.com

Para além disso existe ainda no complexo um outro edifício chamado a sala dos 500 budas, na qual, tal como o nome indica, estão dispostas esculturas de 500 budas tipicamente chineses. São todos diferentes uns dos outros e distribuídos por áreas representando os quatro pontos cardeais (a sala é espantosa!).

Image hosted by Photobucket.com

Uma das coisas que mais gostei no complexo, para além da beleza exterior dos edificios e do interior dos templos, foi a forma como tudo aquilo está integrado no ambiente natural. Está tudo feito para aproveitar o declive da montanha, a vegetação belissima (árvores muito antigas, jardins bem cuidados), pelo que os muitos monges que ali estudam e vivem (e vimos bastantes...) gozam de uma atmosfera fantástica.

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Visitei outros templos em Nanjing e Hangzhou (incluindo templos dedicados ao Confúcio), mas este foi o mais imponente e inspirador. O ambiente fez-me lembrar os filmes de artes marciais (tipo Kill Bill, com o Mestre Pai Mei, ou a mítica série "Os Jovens Heróis de Shaolin") e os meus estágios de montanha de karaté na Serra de Sintra!


Mantendo-me no tema religioso, mas fazendo agora a ponte com Xangai e a religião Cristã, visitei a Catedral de S. Inácio (de Loyola, com certeza...) na zona sudoeste de Xangai, agora denominada Catedral Xujiahui. É a maior catedral católica da cidade e foi fundada por um padre missionário jesuíta italiano (quem mais vinha para tão longe...) em 1904. Parece que há cerca de 140 000 católicos na cidade (pensei que fosse menos...). O Governo diz que dá alguma liberdade religiosa mas não tem muito boa relação com os católicos por duas razões principais no presente: a política de restrição de natalidade (cada casal só pode ter no máximo 2 filhos) que vai frontalmente contra a visão de Roma, e o facto do Vaticano reconhecer Taiwan como país independente.

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

O edifício da igreja é relativamente pequeno, há muitas imagens e estatuetas da Virgem Maria (parece que é a principal devoção por estas bandas), fotos do falecido JP II, mas o mais curioso é que segundo a Lu e um amigo meu chinês a igreja funciona tipo clube. Isto quer dizer que há alguma restrição à entrada, e disseram-me que como tenho ar de europeu (finalmente!) turista ninguem me põe restrições, mas se forem só chineses pedem o cartão de catolicidade!!! Que cena!


Pagodes

Fiquei a adorar pagodes!!! Para quem não sabe são uma espécie de torres, normalmente localizadas no cimo ou na vertente de elevações, e que têm um simbolismo associado à religião budista. Servem para contemplação da paisagem, e eu acho que também é um regalo contemplá-las.

Image hosted by Photobucket.com

Principalmente a nº1 de Hangzhou (chamada Leifeng), com vista para o grande lago, escadas rolantes e elevador para chegar ao cimo, é um encanto!

Saudações cordiais por hoje

PS1: o comboio que liga a área financeira de Xangai (onde estão concentradas as sedes dos principais bancos e empresas multinacionais a operar na China, bem como a Bolsa - é tipo a City de Londres mas bastante maior em área e altura), chamada Pudong, ao aeroporto com o mesmo nome é o que se pode chamar em bom português uma excentricidade!! O comboio chama-se MagLev (julgo que deve ser diminutivo para levitação magnética) e, segundo info barrigaduresca, é único no Mundo. Uma ida custa cerca de 5 euros e serve para fazer os pouco mais de 50 km de distância em 7 minutos e meio. A meio do percurso atinge a velocidade de 430 km/h!! Segundo me disseram é de tecnologia francesa e é um sistema que não foi implantado em França por não ser financeiramente a melhor opção. Tambem não é rentabilizável ou economicamente racional em Xangai, mas segundo inside info a decisão foi política - há muito dinheiro para gastar em infraestruturas públicas e vontade em afirmar Xangai no Mundo, pelo que se achou que este tipo de show-off era para levar adiante! Os utentes agradecem, a cidade no seu todo é que nao sei!

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

PS2: Ontem à noite fomos visitar um dos edifícios mais altos do Mundo, a Torre Jinmao também na área de Pudong. Tem 88 andares (porque 8 é o número da sorte para os chineses), 420 metros de altura, é o edifício mais alto da China e o quarto mais alto do Mundo. A arquitectura do edifício é gira, faz lembrar um gigantesco pagode budista construído em aço e vidro, e para os chineses tem um significado particular: Jinmao significa 'economia' e 'comércio', e traz significados adicionais de 'ouro' e 'prosperidade'. Toda a parte superior do edifício (a partir do 54º andar) é um hotel de 5 estrelas chamado Grand Hyatt e no último andar há um bar ao qual toda a gente pode aceder, incluindo o bicente e companeros! A arquitectura do interior do edifício é um espanto e a vista lá de cima do bar sobre a cidade qualquer coisa de irreal. Claro que com o preço do consumo mínimo quase só vimos westerners e acabámos por nos pisgar para um bar noutra zona da cidade para beber umas bjecas!

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

PS3: Fui passear para a zona do estádio olímpico de Xangai, onde estão por estes dias a decorrer os campeonatos mundiais de ping pong. Coisas insólitas se passaram:
- Primeiro vi um jogador sueco a fugir a correr do pavilhão principal com ar aflito, e com umas dezenas de pessoas a persegui-lo (fundamentalmente jornalistas e admiradoras chinesas a pedir autógrafos). Segundo soube mais tarde o tipo ganhou um jogo importante, e parece que os suecos são tradicionalmente os maiores adversários dos chineses em ping pong masculino e desta levaram a melhor (embora talvez lhes custe caro...)
- De seguida, ia eu a sair do complexo desportivo e veio uma garota chinesa (bem baixinha) pedir-me para tirar uma foto. Inicialmente pensei que queria que lhe tirasse a foto com as amigas, mas depois deixou claro que o que queria era tirar uma foto apenas comigo. Eu lá disse ok mas perguntei-lhe porquê, ao que respondeu "Because you are so tall!". Fiquei a olhar para ela com uma sensação de ambiguidade - será que ser alto é bom por estas bandas e as gaijas gostam, ou serei tipo artista de circo/figura estranha?? A Lu só se ria...

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Quarta-feira, Maio 4

Notas Lusas II

Mais 4 notas breves:

- Em todos os restaurantes da cadeia KFC (Kentucky Fried Chicken) de Xangai os pastéis de nata portugas fazem parte do menu principal. E, para além disso, nos cartazes publicitários do KFC na rua, nos edifícios, em placards de metro etc... em vez de aparecer uma galinha frita e panada aparecem sempre os pastéis de nata, bem como em fotos espalhadas nas paredes dentro de cada restaurante. They love it!

Image hosted by Photobucket.com

- Na China quando eu digo que sou de "Portchugal", com pronúncia inglesa, ficam sempre a olhar para mim com cara de ignorantes. Não fazem ideia de onde isso seja. Até que a Lu diz lá na língua deles "Pu-tao-ya" e aí faz-se luz! "Yes, yes, Macao, football" e por aí fora! O problema é que, à letra, "Pu-tao" quer dizer uva, e "Ya" pode ser entendido como dente - ou seja, para os chineses um português é alguem da terra da malta que come uvas com os dentes (também gostava de saber de que outra forma se pode comer...mas tá bem!)! Deve ter a ver com a nossa tradição vitivinícola mas eu cá sinto-me um pouco primitivo com esta concepção :) A Espanha tambem é traduzida para chinês por "Shi-pan-ya", o que quer dizer "dentes do oeste" em chinês - porquê também nao me souberam explicar, os gandas malucos!!

- Passei hoje por uma loja numa das principais ruas comerciais de Xangai (a Huaihai Lu, sendo que Lu quer dizer avenida) chamada "Lisboa Sauna - Reflexology - Beauty & Hair Salon Center". Segundo um chinês amigo meu, Mr. Michael Ding, é um salão de beleza bem reputado na cidade e as amigas dele costumam lá ir.

Image hosted by Photobucket.com

- Depois mais um almoço radical (desta vez o animal sacrificado foi o burro) resolvemos apostar hoje num jantar de estilo um pouco mais ocidental. Fomos a um Brazil Barbecue restaurant, tipo Rodízio, de nome "Dagama". Obviamente o nome remete para o nosso Vasco da Gama (que não tem grande coisa a ver com o Brasil, penso eu) e à entrada do restaurante está um modelo de uma nau do séc. XVI. Gostei da comida e o ambiente era agradável, excepto a música ao vivo. Eu, que estava mesmo com vontade de ouvir uma bela bossanova ou um sambinha, depois de musica asiática até aos cabelos, tive que ouvir um cantor do Congo a cantar em francês a noite toda. E ainda por cima era um bocado fraco. A certa altura pedi à super Lu para perguntar ao gerente da casa de que país era o cantor, ao que ele respondeu "Brasileiro". Ao ver a nossa cara de dúvida ele corrigiu dizendo que o tipo tinha nascido no Congo e estado muito tempo em Paris antes de emigrar para o Brasil, de onde veio estudar para a universidade de Xangai. Enfim, até ao fim da noite nem um ritmozinho, nem uma palavra na língua de Camões, e no fim da performance o congolês passou pela nossa mesa e eu perguntei-lhe se falava alguma coisa de português. Ele disse que não, só francês, inglês e um poquito de espanyol, e que vinha de Paris. Ja me viram o barrete! O que vale é que os chineses nem sabem distinguir entre linguas latinas! "Western language" é o inglês e algumas outras que não entendem muito bem!

Image hosted by Photobucket.com

Saudade!

Terça-feira, Maio 3

Notas Lusas I

4 notas breves:

- Hoje chegou a Xangai um amigo meu japonês, vestido com a camisola da selecção portuguesa! Trata-se de um grande embaixador da nossa nação na Ásia, e até já lhe disse que devia receber uma condecoração do nosso presidente Sampaio!

Image hosted by Photobucket.com

- Esta noite fui a um bar na zona francesa de Xangai, o Bourbon Street, e adivinhem qual foi uma das músicas que passaram num concerto ao vivo? Isso mesmo, o "Coração de Melão" do Melão, a banda era chinesa e estavam a (tentar) cantar em português/espanholês! Incrível a fama desse astro português, é quase comparável à do Mourinho!

Image hosted by Photobucket.com

- Há um restaurante no centro de Xangai chamado "Restaurante Lisboa". A empresa é de Macau, e a decoração/design do local é excelente. A bica não vale grande coisa mas deu para comer um belo pastel de nata. Colado a este estava outro estabelecimento denominado "Café de Coral", tambem todo estiloso. Concluo que estamos mais bem representados aqui que em muitas outras cidades da Europa...

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

- Nos últimos dias tenho ficado ainda mais preocupado com o meu ar. Primeiro um jobem estudante universitário que encontrámos na rua perguntou-me se eu era indiano, e ontem à noite, num restaurante, uma velhota virou-se para a Lu para saber se eu era iraquiano!!?! É a minha sina...

Mata ne (até breve em japonês)

Segunda-feira, Maio 2

Hangzhou, o Chá e outras especialidades

Qin ai de peng yo (caros amigos, em xangainense)

Estou de volta a Xangai. O tempo hoje esteve péssimo, chuvinha o dia todo, o que por aqui significa muito pouca visibilidade. Parece Inglaterra mas com temperaturas de verão. A chuva já tinha começado ontem em Hangzhou, estava a dar uma volta de bicicleta com a Lu e começa a cair uma daquelas borrascas... Parecia que estava no banho, quase 35 graus e completamente ensopado com uma chuvada que durou cerca de 10 minutos!! Foi mais uma nova experiência para a colecção...

Queria-vos repetir mais uma vez como Hangzhou é o máximo. Comparando com Xangai, é a China mais tradicional, das belezas naturais/culturais em contraste com a China mais moderna, freneticamente diversa e muitíssimo próxima das cidades ocidentais. Li num guia que nos relatos que o Marco Polo escreveu sobre a sua viagem e contactos com a China no séc. XIII, o comentario acerca de Hangzhou era "tratar-se de uma das cidades mais esplêndidas existentes no Mundo". Não sei como seria o Mundo (Europa e China) nessa altura, e se o Marco também contactou com muito ópio na sua excursão, mas acho foram poucos os sitios que visitei de onde tenha saido tao "cheio" como desta cidade. Para além de, como já vos ter dito, ser uma cidade extremamente ordenada, bem construída, limpa, de todos os taxis serem VW Passat (grande contraste com Nanjing e Xangai onde domina o modelo Santana - ainda gostava de saber como é que a joint-venture criada em 1984 entre os uns alemães preocupados em construir carros para o povo, e a muy histórica Shanghai Automobile Corporation - a funcionar desde o início do séc. XX, sob controlo de ingleses e americanos, e que tramou a Rover bem tramada nas últimas semanas-, foram arranjar um nome tão latino!!) e de ter no centro um estabelecimento com uma placa a dizer "Padaria Super-Mário", tem um conjunto de atracções turísticas tão diverso e de tanta qualidade e beleza que eu cá por mim fiquei fã para o resto da minha existência. Eu sei que parece que me pagaram para fazer publicidade a esta malta, mas até estou disposto a fazer o teste do polígrafo para confirmar as minhas afirmações :) A excelência do lugar já vem de longe, desde o séc. XII pelo menos que as elites imperiais vinham frequentemente passar uns tempos a esta zona, e os imperadores das dinastias Song, Ming e Qing deixaram todos marcas no lugar (marcas arquitectónicas, lendas, mitologias...). O que se vê hoje é o sedimentar de centenas de anos, embora uma parte razoável tenha sido reconstruída (inspirada no que existia originalmente) depois dos desmandos da Revolução Cultural (que comecou em 1966 e perdurou ate 1976, onde uma parte dos monumentos e referências ao sistema imperial/feudal/religioso foi "passada a ferro", tendo Hangzhou sido um alvo apetecido!), que pelo menos não tocou na floresta. Acho que a cidade não e muito conhecida no estrangeiro (nem se compara em fama com Pequim, Xangai, Xian, Hong Kong, Macau ou o Tibete), mas para os chineses é um destino de eleição, a par com Suzhou (onde tambem esteve o Marcão, e que devo visitar na proxima terça) a 100 km de Xangai. Assim se explica as hordas de turistas que estavam a chegar à cidade ontem, quando eu me estava a pisgar para a "cidade grande" (ao contrario dos sábios ocidentais, os chineses têm férias apenas em periodos autorizados para preservarem o "espírito nacional", nomeadamente a Semana do Trabalhador de 1 a 7 de Maio, a Festa da Primavera em Fevereiro e o Dia Nacional lá para Setembro ou Outubro; nestes dias os locais mais turísticos estão a abarrotar e é o sofrimento, se alguma vez derem um pulo à China não venham nestas datas é um conselho de amigo)!

Como já vos disse o centro de interesse da cidade é o magnífico lago, o West Lake, que tem umas ilhotas com uns mini-templos chamados pavilhões ming no meio e pontos de interesse a toda a volta do mesmo, dando para dar umas viagens de barquinho e curtir as vistas, ou andar de bicicleta à sua volta. O lado leste do lago faz o contacto com o centro urbano e está recheado de óptimos restaurantes, bares e locais de diversão. A norte, oeste e sul estão as montanhas revestidas de vegetação abundante. E é esta uma das características mais belas, o clima aí é muito húmido e quente e a vegetação/fauna é tipicamente semi-tropical (as zonas de bambú sao exactamente o que se vê no filme "The House of Flying Daggers", é demais).

Image hosted by Photobucket.com

Deu para fazer umas boas caminhadas e suar que nem um zhu! No meio das montanhas foi onde os monges budistas erigiram os seus templos, moldaram a natureza e produziram o que ali está hoje. Noutro post falo mais disto e de outros pontos de interesse.

Mas o que quero escrever hoje em particular é acerca da cultura do chá. Hangzhou é uma das zonas mais importantes da produção desta planta em toda a China, e tem um dos 10 melhores chás - o LongJing "Poço do Dragão". Longjing é o nome de uma das aldeias no meio das montanhas que é considerada o centro da zona de produção, e Poço do Dragão vem de uma lenda bem antiga que diz que a água tão necessária para os campos de produção vem de um poço onde vive um dragão que garante o abastecimento(!?!). Eu, claro está um engenheiro agrónomo medianamente interessado nas culturas tropicais, tinha que ir visitar a tal aldeia e a zona ao redor. Foi mais uma daquelas experiências para mais tarde recordar.

O chá para os chineses está tão ligado à cultura e alma das pessoas como o vinho na nossa. Beber chá é algo de fundamental e cultivá-lo nesta zona não só é um gosto como de certeza que dá lucro. Uma chávena de qualidade mediana custa cerca de 1,5 euros em qualquer casa de chá (aqui nao ha cafés, o equivalente é a casa de chá, normalmente sítios extremamente agradáveis) da aldeia, e os campos também nao ficam muito longe de casa. As plantações são feitas não só nos vales mas também nas curvas de nível, numa espécie de socalcos até uma altura onde passa a haver floresta, o que dá uma paisagem muito gira.

Image hosted by Photobucket.com

Na verdade se tirassem o chá e pusessem vinha a aldeia ficava parecidíssima com o que se encontra em muitas zonas do Norte e Centro de Portugal. Com isto quero dizer aldeias pequenas, parcelas pequenas tratadas por agricultores familiares ou camponeses, provavelmente a tempo parcial e cujos lucros vem na quase totalidade do chá (embora o rendimento familiar deva ser composto com o que vem dos estabelecimentos comerciais das familias da aldeia).

Á beira da estrada vê-se os aldeões a tratar as folhas do chá esfregando-as num recipiente aquecido em forma cone de metal invertido e ligado à corrente electrica (a nadiusca já se deve estar a rir com esta descrição, é que eu não sei qual o objectivo do processo (talvez secar as folhas?) pelo que tenho que descrever desta forma simplória - se souberes mais envia um comentário: como não dava para comunicar com os habitantes, olhavam todos para mim com ar surpreendido, só falavam chinês e a Lu tambem não os entendia muito bem...só que quase nos queriam obrigar a provar o chá!).

Image hosted by Photobucket.com

Também foi muito interessante ver os trabalhadores a podar as linhas de plantas de chá, com os chapéus típicos e a bicla ou motoreta sempre encostada a beira da estrada em frente da parcela onde andavam a trabalhar. Os que não estavam nisto estavam sentados numas esplanadas à beira da estrada a beber chá e a jogar às cartas ou mahjong. A destes pareceu-me vida mansa, como é bom o turismo para as economias rurais!

Image hosted by Photobucket.com

Acabámos por almoçar numa das salas de chá, que também servem almoços, e a Lu disse-me que a comida era tipicamente de agricultores: caracóis do rio (negros e só se come a cabeça), peixinho fresquíssimo e uma bela sopa! Foi das melhores refeições que tive até agora, e por cerca de 4 euros com bjeca incluída! Ou seja, mais DOP e Desenvolvimento Rural que isto não sei onde haja!!! Dava um caso de estudo óptimo e modelo se calhar para algumas zonas do nosso país onde não dá para fazer uma coisa do tipo California no "Sideways". Conclusao: curti muito do bués!!!

Image hosted by Photobucket.com

Depois ainda fui ao mítico Poço do Dragão (é giro que estes produtos com denominação de origem de sucesso têm sempre uma história ou lenda por trás ou um segredo de fabrico, dá cor e mais vontade de consumir e/ou comprar), mais acima na montanha, onde tirei umas fotos no dito cujo, me sentei em mais uma casa de chá e me abasteci. Devo avisar o SR que lhe levo deste chá que para o gosto desta malta é do melhor, mas não sei se corresponde ao gosto ocidental (que talvez prefira o Hu-Long). Em todo o caso é sempre bom experimentar, certo?

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Esta zona também é famosa pela produção de seda, mas não vou descrever isso aqui porque acabei por não ter tempo de visitar o local de produção. Suzhou é a capital da seda e espero depois de ir lá dizer qualquer coisa.

O segundo produto "especialidade alimentar" de Hangzhou é a água da Fonte dos Tigres ou Hupao. A fonte fica localizada em mais um daqueles spots que nem nos filmes aparecem e, segundo a lenda, foi encontrada por dois tigres amigos de um monge (as lendas chinesas são sempre de se lhe tirar o chapéu...). Há uma escultura no local a simbolizar a história. A água parece ter propriedades medicinais/curativas e também é utilizada no chá que é vendido em mais uma casa de chá no spot.

Image hosted by Photobucket.com

Image hosted by Photobucket.com

Numa fonte ali perto estava uma fila enorme de belhotes castiços com garrafões à espera para encher e levar para casa (parece Sintra não é Clau??). Nao me queriam deixar passar à frente, tivemos que insistir que não tínhamos garrafões e só queríamos beber um pouco de água! Parecia discussões à Portuga!

E por aqui termino, até breve!

Bye

PS1: Mais um caneco para o Mourinho, deu para ver ontem mais uma vez o jogo do Chelsea na tv. Só falta a Liga dos Campeões.

PS2: Estes dias tenho andado a dar-lhe em mais coisas esquisitas, anteontem foi cobra do rio, ontem alforreca (que os chineses consideram uma iguaria excelente). Cão e gato já percebi que não vai ser fácil, é mais para sul (no Cantão ou Guangdong) a principal zona de consumo. Paciência, não se pode ter tudo e lá tive que comer uma sopa de tartaruga outra vez (desculpa lá barriga(menos)dura mas o bicho sabe bem!).

PS3: Mais uma vez não consigo postar fotos no photobucket. Continuarei a tentar mas é capaz de não ser fácil...